Nota
de Abertura
AGOSTO -O mês das nossas
festas, aí estaremos nós para a realização de mais uma grandiosa Festa Em
Honra de Nossa Senhora da Glória .
Vamos nesses quatro dias
reencontrar familiares e amigos, saborear a sardinha assada, ver o folclore,
os espectáculos musicais, acompanhar a nossa padroeira na solene procissão,
assistir às actividades culturais, admirar a ornamentação à moda do Minho e
deslumbrar-nos com as espectaculares queimas de fogo de artifício, tão ao
nosso gosto.
Todos os anos, esperamos
sempre melhor, mas também sabemos o quanto é difícil atingir esse objectivo.
Mas a nossa fé, leva-nos sempre a acreditar que não há obstáculos que nos
impeçam de tornar esta em mais uma Festa memorável.
Neste grupo de homens e
mulheres, impera a responsabilidade e a exigência do bem servir, numa
atitude alegre e de boa disposição.
SABEMOS QUE
A GLÓRIA MERECE E
NOS AGRADECE
A
COMISSÃO DE FESTAS
Agradecimentos
A Comissão 2003, após a
caminhada de quase um ano de trabalho, vem manifestar o nosso maior
agradecimento a todos os que nos apoiaram.
À Comissão 2002 o nosso
muito obrigado, pela habitual transferência monetária, preciosa para o
trabalho desta Comissão 2003 e ajuda prestada.
À Comissão 2001, a nossa
gratidão pelo apoio prestado, no que diz respeito ao facultar a consulta de
documentos respeitantes à realização de umas Festas, como são as nossas.
Às entidades oficiais:
Câmara Municipal e Junta de Freguesia. Às colectividades Glorianas, uma
palavra de apreço, pela forma como nos ajudaram, em favor das Festas da
nossa terra.
A todos aqueles que através
deste livro, fizeram os seus anúncios, gostaria-mos de forma muito sentida
manifestar o nosso muito obrigado e satisfação, por esta que já é uma parte
imprescindível, na ajuda da concretização destes grandiosos festejos.
À população de Glória do
Ribatejo, do Concelho de Salvaterra de Magos, concelhos vizinhos e demais
visitantes, o nosso mais profundo agradecimento pela forma como esta
Comissão 2003, foi recebida, acarinhada e apoiada por todos, jamais
esqueceremos.
À futura Comissão que possa
surgir, os votos de mais uma realização de grandes Festas e a promessa que
terão ao dispor toda a documentação referente às Festas 2003, que para tanto
entregaremos na Junta de Freguesia .
Por último, uma palavra de
gratidão e homenagem às mulheres e aos homens que compõem esta Comissão
2003.
Bem hajam.
O Juiz
À Nossa Terra
I
Terra
rude, matagais
Santa Maria, te chamaram
Fugindo
à peste, vieram
Traziam
fé e esperança
Por cá ficaram
II
Nossos antepassados,
avós
Os terrenos,
transformaram
Matagais, em searas
lindas
E nos campos verdejantes
Seus rebanhos guardaram
III
Novas eras, novos tempos
Não apagam nossa
história
De Santa Maria, pouco
resta
Da bravura do Ribatejo
Serás sempre linda
Glória
Um
Gloriano
História da Glória do Ribatejo
Perdem-se nos alvores da pré
história as origens da mais remota ocupação humana na região da Glória do
Ribatejo. Os vestígios mais antigos reportam-nos paro o paleolítico inferior
e médio, onde se verifica uma ocupação mais ou menos intensa, veja-se os
casos dos diferentes bifaces encontrados do período acheulense (paleolítico
inferior) e as lascas mustierense (paleolítico médio), e descentralizada em
locais como Lagoa das Enguias, Serra da Caveira, Serra do Trancão, entre
outros locais.
Devido às alterações
climatéricas ocorridas durante a pré-história, que criaram uma alteração dos
condicionalismo geográficos da região, provocando o abandono da presença
humana nesta região.
Há um enorme período de
obscuridade na história da região, que acaba no séc. XIV, quando D. Pedro I,
manda edificar uma igreja na Glória do Ribatejo em 1362.
A origem da fundação deste
templo está ligado a um suposto milagre, que envolveu o rei D. Pedro I.
Segundo nos conta a tradição oral, o rei andava à caça de um cervo, que tão
embriagado da presa afastou-se do grupo que o acompanhava, e caiu no pântano,
ao sentir a aproximação de um felino, clamou por N. Sr.ª da Glória, que
segundo a lenda surgiu ao monarca, afastando o felino.
O rei impressionado com este
acontecimento, decide fundar uma igreja em sinal de devoção à N. Sr.ª da
Glória. Este templo hoje em dia muito alterado do seu aspecto original,
ainda sustenta 3 ícones medievais: lapide da fundação da igreja, o escudo de
armas de D. Pedro l e uma escultura (coruchéu) que representa a cabeça de um
animal do tipo felino, a quem o povo associa ao tal "bicho" que queria
atacar o monarca.
Com o objectivo de facilitar
a vida e a fixação dos moradores neste local, o Rei D. Pedro l atribui em
1364, uma carta de privilégios com bastantes liberdades e isenções para a
época.
O rei D. Fernando, por carta
passada em Santarém a 13 de Maio de 1367, reforça as liberdades aos novos
povoadores da Glória do Ribatejo e isenta-os do imposto da sisa, não
permitindo que Ihes fossem impostas extorsões sobre as bestas em qualquer
sítio em que se encontrassem e nas quais transportassem pão e vinho. Tal
isenção porém, só era válida, enquanto ali morassem.
Vivendo durante séculos da
agricultura e pastorícia, os habitantes da Glória do Ribatejo, foram
desenvolvendo ao longo dos séculos uma cultura muito peculiar que a
diferenciou das restantes freguesias do concelho, e que subsistiu até aos
nossos dias.
Com uma identificação
cultural muito marcante, construída no dia adia desta população, ainda hoje
é possível observar nesta povoação costumes ancestrais. Uma das razões
apontadas para a preservação destes valores prende-se com a endogamia. No
passado, ao evitar casamentos com pessoas de outras localidades, este povo
conservou genuinamente os usos e costumes dos seus antepassados.
A Glória do Ribatejo, é
ainda com muito orgulho um dos poucos locais deste Portugal massificado e
globalizado, onde ainda se respira tradição.
Roberto Caneira
As Festas em Honra de Nossa
Senhora da Glória
As Festas em Honra de Nossa
Senhora da Glória revestem-se de um carácter religioso mas também de um
acentuado cariz profano que se manifesta em divertimentos e convívio.
No passado estes festejos
realizavam-se em Setembro e tinham a duração de 3 dias, com o térmio de
certas tarefas agrícolas sempre havia mais algum dinheiro nas bolsas. Nessa
altura vivia-se uma grande azáfama nas ruas da aldeia: caiavam-se as casas,
escolhia-se e comprava-se em Coruche a melhor roupa para envergar durante a
festa, conforme as posses de cada um, os homens esforça- vam-se no "paito" (pátio)
da Igreja para terminar a decoração dos arcos de "murtinheira", espetavam as
últimas bandeiras e levantavam o "paluto".
Hoje em dia apesar das
vicissitudes do tempo, estes festejos mantêm a mes- ma essência, identidade
e afirmação cultural da Glória do Ribatejo. Apesar da festa não ser em
Setembro, mas em Agosto e com 4 dias de festa, no "paito" encontram-se ainda
certas reminiscências do passado.
Os arcos de "murtinheira"
foram substituídos pelos arcos à moda do minho, mas o "paluto" está no mesmo
local, bem ao alto a anunciar aos forasteiros que a Glória está em festa. Os
bailaricos são diferentes mas continua-se a dançar, o fogo que tanto fascina
o povo, mantém-se e é ainda mais espectacular graças à mais elaborada
pirotecnia.
Ao domingo a procissão
continua a percorrer as ruas, o manto da Nossa Senhora continua coberto com
notas, agora de euros, em cumprimento das pro- messas dos devotos, as
fogaceiras também lá estão e o povo da Glória na sua devoção que tem pela
Nossa Senhora não deixa de comparecer e mostra a sua crença e respeito.
Na segunda-feira, o dia dos
divertimentos, continuamos a encontrar as mes- mas tradições, apesar de nas
cavalhadas o burro ter sido substituído pelas bicicle- tas, mantém-se o
mesmo convívio e fraternidade entre os concorrentes.
Apesar da massificação e
homogeneidade dos costumes, fruto desta era da globalização, as festas da
Glória contrariam estes princípios e mantêm viva a essência e a identidade
cultural deste povo.
É uma festa com um cariz
especial que a diferencia de todas as outras, possui raízes que dificilmente
serão arrancadas e cada ano que passa estão mais fortes. Cada comissão de
festas que passa é como um elo que a fortalece.
As festas em Honra de Nossa
Senhora da Glória, assumem-se como um marco na identidade cultural de uma
comunidade que teima em mostrar o orgu- lho do seu passado, respeitando e
assimilando o legado cultural deixado por gerações anteriores, e são também
a revelação do dinamismo das pessoas da Glória do Ribatejo em conseguir
realizar uma festa que em tudo se diferencia das
restantes.
Roberto Caneira
Em construção